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21/11/2008 - 100 livros essenciais da literatura brasileira
Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta
edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um
século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um
Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente
as suas respostas.
Outro grande criador de frases, mais cínico
na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro
autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é
muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em
relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do
criador do Sítio do Picapau Amarelo.
É evidente que o ranking
das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição
não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da
ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que
seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos
cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.
Embora
tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta
edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus
gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a
identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação
geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas
várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista
BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na
cultura brasileira, julgou merecer.
O resultado é um guia amplo,
ao mesmo tempo informativo e útil. Para o leitor das obras de ontem e
hoje, do consagrado e do que pode apontar para o inovador. Não só para
a literatura, mas também, como queria Lobato, para os homens e para o
país que ainda temos de construir. A seguir, os 100 livros essenciais
da literatura brasileira, em ordem alfabética de autor. Divirta-se! Adélia Prado: Bagagem
Aluísio Azevedo: O Cortiço
Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos Noite na Taverna
Antonio Callado: Quarup
Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda
Ariano Suassuna: Romance dA Pedra do Reino
Augusto de Campos: Viva Vaia
Augusto dos Anjos: Eu
Autran Dourado: Ópera dos Mortos
Basílio da Gama: O Uruguai
Bernando Élis: O Tronco
Bernando Guimarães: A Escrava Isaura
Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados
Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo Claro Enigma
Castro Alves: Os Escravos Espumas Flutuantes
Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência Mar Absoluto
Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H. Laços de Família
Cruz e Souza: Broquéis
Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba
Dias Gomes: O Pagador de Promessas
Dyonélio Machado: Os Ratos
Erico Verissimo: O Tempo e o Vento
Euclides da Cunha: Os Sertões
Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?
Fernando Sabino: O Encontro Marcado
Ferreira Gullar: Poema Sujo
Gonçalves Dias: I-Juca Pirama
Graça Aranha: Canaã
Graciliano Ramos: Vidas Secas São Bernardo
Gregório de Matos: Obra Poética
Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas Sagarana
Haroldo de Campos: Galáxias
Hilda Hilst: A Obscena Senhora D
Ignágio de Loyola Brandão: Zero
João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço
João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina
João do Rio:A Alma Encantadora das Ruas
João Gilberto Noll: Harmada
João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos
João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro
Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha
Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela Terras do Sem Fim
Jorge de Lima: Invenção de Orfeu
José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen
José de Alencar: O Guarani Lucíola
José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto
José Lins do Rego: Fogo Morto
Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada
Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé
Luiz Vilela: Tremor de Terra
Lygia Fagundes Telles: As Meninas Seminário dos Ratos
Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas Dom Casmurro
Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias
Manuel Bandeira: Libertinagem Estrela da Manhã
Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre
Mário de Andrade: Macunaíma; Paulicéia Desvairada
Mário Faustino: o Homem e Sua Hora
Mário Quintana: Nova Antologia Poética
Marques Rebelo: A Estrela Sobe
Menotti Del Picchia: Juca Mulato
Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo
Murilo Mendes: As Metamorfoses
Murilo Rubião: O Ex-Mágico
Nelson Rodrigues: Vestido de Noiva A Vida Como Ela É
Olavo Bilac: Poesias
Osman Lins: Avalovara
Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande Memórias Sentimentais de João Miramar
Otto Lara Resende: O Braço Direito
Padre Antônio Vieira: Sermões
Paulo Leminski: Catatau
Pedro Nava: Baú de Ossos
Plínio Marcos: Navalha de Carne
Rachel de Queiroz: O Quinze
Raduan Nassar: Lavoura Arcaica Um Copo de Cólera
Raul Pompéia: O Ateneu
Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas
Rubem Fonseca: A Coleira do Cão
Sérgio SantAnna: A Senhorita Simpson
Stanislaw Ponte Preta: Febeapá
Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu Cartas Chilenas
Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética
Visconde de Taunay: Inocência
Fonte: UOL - Vestibular

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